Confesso que já gostei mais da escola. E também confesso que já me vi mais interessada e entusiasmada. Isso não quer dizer que, no meu último ano no secundário, vou deitar tudo a perder, não. Quer dizer que vou ter de usar o dobro do meu entusiasmo e vontade para me levantar as seis e meia.
Ultimamente passam-me mil e uma coisas pela mente. Desde o curso a escolher a assuntos que deviam estar mortos e enterrados há anos. Estupidamente, tudo isto distrai-me. Porém, o que me irritou hoje, foi, mais uma vez, como é hábito, a stôra de História.
Hoje dois grupos apresentaram os trabalhos e eu estava mais para o cantinho dos meus pensamentos, no entanto, estava a ouvir. Tinha a cabeça baixa e voltada para o A., que também estava absorto deste mundo, mas completamente desatento. Entrementes, ele fita-me pelo canto do olho e pergunta: Que dia é hoje? Eu respondo-lhe que é dia cinco e volto a cara para o outro lado, para ver em que pé andava o trabalho. Depois disso, quase que não lhe falei, apenas trocamos duas palavras quando as nossa colegas pediram-nos para abrir o livro e ler a legenda de uma imagem relacionada com o trabalho.
No final a apresentação, a professora pediu a cada grupo para dizer o que achou sobre a apresentação feita e, quando chegou ao meu, fez uma observação deveras engraçada:
Prof. - A Nameless que costumava sentar-se aqui a frente e tinha o hábito de ser tão calada não se calou desde que a aula começou.
Nameless - (Eu com um ar genuinamente chocado) O quê? Eu não abri a boca durante a aula toda!
Prof. - Abriste pois, porque vi-te a falar com o A.
Nameless - Setôra, ele perguntou-me o dia e eu disse-lhe que hoje é dia cinco de novembro.
Prof. - Só isso?
Nameless - Sim, só isso. Estivemos praticamente calados durante toda a aula.
P. -Stôra, acho que viu mal, porque a Nameless esteve mais a dormir do que a falar.
Prof. - Então estão-me a dizer que o A. fala sozinho?
A. - (Com a maior naturalidade do mundo) As vezes.
(Risos por toda a sala. Quase toda, eu não me riu no momento.)
Prof. - Está bem então, diz o que é que o teu grupo achou sobre o trabalho.
Respirei fundo, respondi-lhe o mais rapidamente possível, fiz uma pergunta e calei-me. Este ano isto vai ser lindo. Estou mesmo a ver que, quando receber o teste, vai dizer que tive negativa por causa da conversa - que é "imensa".
A mulher é uma cabra, não a suporto mais ano algum. Sete meses a aturá-la vai ser giro. Mudando-me ou não de lugar, coisa que ela disse que ia fazer por me ter apanhado distraída uma vez em três anos, as minhas notas vã subir. Logo, faça ela o que fizer, sei que não terá razão alguma em nada do que diz. Se ainda desse matéria em vez de passar filmes como "Meia noite em Paris", para consolidarmos uma matéria que já saiu para o teste, eu teria mais gosto em me levantar da cama e ir para a aula assitir a uma das suas lições.
Boa semana, Nameless